“Eu sei que não deveria estar tão preocupada, mas meu corpo não entende isso.” Essa frase aparece de diferentes formas na clínica. A pessoa sabe racionalmente que não existe um perigo imediato, mas sente o coração acelerar, a respiração mudar, os músculos contraírem e o corpo permanecer em estado de alerta. Entenda porque isso acontece.
Ansiedade não é apenas um pensamento
Quando percebemos uma ameaça, nosso organismo se prepara para responder, isso pode acontecer diante de um perigo real, mas também diante de uma situação que nosso cérebro interpreta como ameaçadora.
As situações podem ser diversas, uma reunião importante, uma conversa difícil, uma apresentação em público, uma possibilidade de perda, diante de uma lembrança ou uma preocupação com o futuro.
O organismo pode reagir antes mesmo que consigamos organizar racionalmente aquilo que estamos sentindo.
O corpo entra em modo de preparação
Durante uma resposta de ansiedade, a amigdala é ativada e podem aparecer alterações como aumento da frequência cardíaca, tensão muscular, respiração mais rápida, sudorese e desconfortos gastrointestinais.
O organismo entende que precisa se preparar para lutar ou fugir, essa é uma função boa que serve para nossa proteção.
O problema é quando esse estado de preparação permanece por muito tempo, afinal não fomos feitos para viver permanentemente em alerta.
Por isso, “relaxa” nem sempre ajuda
Quando alguém está ansioso, ouvir simplesmente “calma” ou “relaxa” pode ser frustrante.
Não porque a pessoa não queira relaxar, mas porque ansiedade não é apenas uma decisão consciente.
Para isso é necessário compreender o que está mantendo aquele estado de alerta.
Em alguns casos, estratégias de respiração, percepção corporal, movimento e outras formas de autorregulação podem ajudar. Em outros, é necessário compreender mais profundamente os fatores emocionais envolvidos.
O corpo pode ser uma porta de entrada para o cuidado
Aprender a perceber o corpo é uma parte importante do autocuidado.
Onde você sente a tensão?
Sua respiração muda quando está preocupada?
Você contrai os ombros sem perceber?
Prende a respiração?
Aperta a mandíbula?
Esses sinais podem ajudar a reconhecer que algo está acontecendo antes que a ansiedade chegue a um nível maior.
Não se trata de interpretar cada sensação corporal como sinal de ansiedade. Sintomas físicos persistentes ou novos também precisam ser avaliados adequadamente por profissionais de saúde.
Quando procurar ajuda psicológica?
Se a ansiedade está frequente, interfere no sono, no trabalho, nos relacionamentos ou limita suas escolhas, é importante considerar uma avaliação psicológica.
Na psicoterapia, não olhamos apenas para o sintoma isolado, nós buscamos compreender a pessoa, sua história, seus padrões e a maneira como ela está vivendo o presente.
Somente assim, nesse trabalho individualizado compreendemos e tratamos cada sintoma.